quinta-feira, 9 de julho de 2009

Luisa

para ler escutando: Curumin - Misterio Stereo

Eis que no final da festa ela aparece. Tendo em mãos um cigarro e meio copo de vodka quente. Puxou-me pelo braço, disse algumas palavras que não me recordo, mas lembro que foi determinada. Diante da situação não pestanejei, respondi com duas palavras e beijei-a. Enquanto saboreava de sua boca o gosto de cigarro, vodka e quem sabe outras línguas (femininas? Talvez...), pensamentos atordoados assombravam minha cabeça: “Que garota é essa?”; “Como ela pode ter tomado essa atitude?”; “Qual é seu nome?”.

Depois da euforia do primeiro contato...
- Vamos sair daqui? Sei lá, algum bar. – ela sugeriu.
- Claro! Por que não? – respondi. Já que no Leblon nada fecha cedo.
A conversa aconteceu. Numa mistura de mulher cheia de atitude e timidez, aquela garota de pele branca e macia, cabelos curtos (na altura do ombro), com um peso ideal, baixa, vestindo um vestido roxo com tons claros (se não me engano) e um sapatinho discreto, me surpreendia cada vez mais!

Algumas diferenças, mas naquele momento as semelhanças me fascinavam! Em comum tínhamos: de Los Hermanos à Radiohead; de Drummond à Buarque; Parque Lage – Lapa; Jorge Ben – Ramones... Enfim, tudo parecia fazer todo sentido com ela. E eu sempre fixo em seu rosto que continha uma beleza singular que não me deixava tirar um sorriso bobo de meu semblante.

Bebemos, cantamos, gritamos, bebemos até que veio o garçom com um ar meio sem graça e...
- Desculpa a intromissão, é que o bar já vai fechar, eu moro longe e daqui a 45 minutos a Linha 2 vai encerrar o expediente. Será que... – Entendido o recado, pedimos a conta e saímos do Garota.

Pediu que a deixasse em casa. Disse que não tinha carro. Ela disse que não se importava. Tomamos o 409, ônibus que tem como itinerário principal a Lapa. No final do coletivo, jovens como eu, mas não naquele momento pois meu espírito sentia um negócio com aquela mulher de 16 anos que só eu senti no mundo. Tenho certeza!

Depois de 15 minutos ela puxou a cordinha, e o barulho da cigarra soou tão mal para mim como para um criança que escuta a sirene que indica o final de seu recreio.
- É aqui. – ela disse apontando para a esquina da Rua Jardim Botânico com outra que não me recordo.
Um beijo longo e um olhar profundo que agradecia pela noite e suplicava por outras mil iguais, eu lancei. Não sei se seu olhar dizia o mesmo, mas preferi me enganar e pensar que sim.

O filme de seus olhos refletidos nos meus e dela desembarcando do ônibus e seguindo para a rua fria e escura, tenta com todas as forças sobrevivr meio a tantos gole secos de destilados, fumaça e outras garotas.

Infelizmente o ônibus andou, substituindo minhas últimas visões da cândida por prédio de luxo. Revigorado, me dirigi à turma do fundão e seguimos para o destino mútuo de todo jovem, adulto ou velho no final de uma madrugada. Que dia!


Baseado em fatos reais...

Um comentário:

  1. na moral booooob,me amarrei!
    tu escreve beem mlk...quando eu lia tentava imaginar,como um filme! é pode dar num filme essa historia ae

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