segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Momento de reflexão


Para ler escutando: Curumin - Compacto

São em dias calmos que me surgem os melhores pensamentos. Nada de conflitos psicológicos, incertezas e cosias do gênero.
Domingo, subi Pedra da Gávea. Um lugar que há tempos desejava conhecer. Uma experiência única onde estão envolvidos tempo (quase quatro horas para subir e descer), paciência, preparo físico e mental e a linda vista panorâmica da cidade.
Sentindo a brisa no rosto, observando o Parque Nacional da Tijuca e encarando a cidade como uma grande maquete, surgiu-me a pergunta: por que todos os dias não poderiam ser como esse? Sem preocupações, barulho, monóxido de carbono e todas essas coisas que vivenciamos em nossas doces rotinas.
Penso constantemente em deixar tudo para trás, ir morar em algum lugar rico em natureza e paz, como a Costa Verde ou Região dos Lagos, ter um emprego tranqüilo, uma casa confortável e o mais importante, viver. Sem ter que me preocupar em ter o melhor carro, salário ou aparência. Não quero viver o personagem de Charles Chaplin em “Tempos Modernos”. Caso isso aconteça, temo que eu crie meu próprio Tyler Durden.
Em uma ocasião, perguntei a um amigo sobre seu pai. Sua resposta foi: ”Meu pai tá morando em Vargem Grande, se isolou do mundo.”. Achei genial.
Meu raciocínio todo se baseia no que observo nas pessoas. Do operário que volta para casa às onze horas da noite e tem que estar no trabalho às sete horas da manhã, ao empresário que vê toda sua fortuna sendo voltada para o tratamento de seu câncer.
Nesse momento faço planos para o futuro, o que fazer depois que acabar a faculdade (que ainda nem entrei) e como vai ser a vida daqui a alguns anos. As repostas dessas perguntas só surgirão com o tempo, mas uma coisa é certa; não há dinheiro nem outra coisa que faça valer o trabalho escaldante e toda essa pressão em nós.
Se há possibilidade de uma vida melhor, eu vou atrás dela!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Momento consciente .. espero

para ler escutando - Radiohead, All I Need

Não sei por que isso me ocorre. Prefiro entender que é um sopro dizendo-me que estou fazendo tudo errado, que o que eu cultivo a anos está prestes a ser arrasado por gafanhotos famintos por desilusões, pesadelos e melancolia.
Consome-me ter que me travestir. Tudo ao meu redor está blindado por força que eu consigo enxergar, mas não consigo reagir contra. Não agüento essas pessoas, não agüento ter que ser parecido com você. Quero conhecer aquele que não tem vergonha de ser um humano fraco, indeciso, carnal, oprimido, normal, humano. O fato de não saber quem eu sou facilita esses pensamentos.
Orgulho-me de ser hipócrita e esboçar um sorriso com a sua presença ou por conseguir um pouco de prazer canal que não tem significado algum. Parabéns pra mim!
Quando a solução momentânea do seu problema está com uma tarja preta, sendo vendida em bares, ruas ou favelas ... É um sinal de que as coisas não andam bem.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"Quando eu vi que o Largo dos Aflitos não era bastante largo pra caber minha aflição..." (Tom Zé)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Luisa

para ler escutando: Curumin - Misterio Stereo

Eis que no final da festa ela aparece. Tendo em mãos um cigarro e meio copo de vodka quente. Puxou-me pelo braço, disse algumas palavras que não me recordo, mas lembro que foi determinada. Diante da situação não pestanejei, respondi com duas palavras e beijei-a. Enquanto saboreava de sua boca o gosto de cigarro, vodka e quem sabe outras línguas (femininas? Talvez...), pensamentos atordoados assombravam minha cabeça: “Que garota é essa?”; “Como ela pode ter tomado essa atitude?”; “Qual é seu nome?”.

Depois da euforia do primeiro contato...
- Vamos sair daqui? Sei lá, algum bar. – ela sugeriu.
- Claro! Por que não? – respondi. Já que no Leblon nada fecha cedo.
A conversa aconteceu. Numa mistura de mulher cheia de atitude e timidez, aquela garota de pele branca e macia, cabelos curtos (na altura do ombro), com um peso ideal, baixa, vestindo um vestido roxo com tons claros (se não me engano) e um sapatinho discreto, me surpreendia cada vez mais!

Algumas diferenças, mas naquele momento as semelhanças me fascinavam! Em comum tínhamos: de Los Hermanos à Radiohead; de Drummond à Buarque; Parque Lage – Lapa; Jorge Ben – Ramones... Enfim, tudo parecia fazer todo sentido com ela. E eu sempre fixo em seu rosto que continha uma beleza singular que não me deixava tirar um sorriso bobo de meu semblante.

Bebemos, cantamos, gritamos, bebemos até que veio o garçom com um ar meio sem graça e...
- Desculpa a intromissão, é que o bar já vai fechar, eu moro longe e daqui a 45 minutos a Linha 2 vai encerrar o expediente. Será que... – Entendido o recado, pedimos a conta e saímos do Garota.

Pediu que a deixasse em casa. Disse que não tinha carro. Ela disse que não se importava. Tomamos o 409, ônibus que tem como itinerário principal a Lapa. No final do coletivo, jovens como eu, mas não naquele momento pois meu espírito sentia um negócio com aquela mulher de 16 anos que só eu senti no mundo. Tenho certeza!

Depois de 15 minutos ela puxou a cordinha, e o barulho da cigarra soou tão mal para mim como para um criança que escuta a sirene que indica o final de seu recreio.
- É aqui. – ela disse apontando para a esquina da Rua Jardim Botânico com outra que não me recordo.
Um beijo longo e um olhar profundo que agradecia pela noite e suplicava por outras mil iguais, eu lancei. Não sei se seu olhar dizia o mesmo, mas preferi me enganar e pensar que sim.

O filme de seus olhos refletidos nos meus e dela desembarcando do ônibus e seguindo para a rua fria e escura, tenta com todas as forças sobrevivr meio a tantos gole secos de destilados, fumaça e outras garotas.

Infelizmente o ônibus andou, substituindo minhas últimas visões da cândida por prédio de luxo. Revigorado, me dirigi à turma do fundão e seguimos para o destino mútuo de todo jovem, adulto ou velho no final de uma madrugada. Que dia!


Baseado em fatos reais...

Salve Simpatia


Escrito em 5/04/09 . Para ler escutando: Jorge Ben - Salve Simpatia


O Circo Voador foi palco para Jorge Bem Jor, seu grupo – A Banda do Zé Pretinho - e seus óculos redondinhos. A casa de shows na Lapa, Centro do Rio de Janeiro, que tem uma programação corriqueira para jovens recebeu um dos maiores nomes da música nacional e um dos nossos artistas que mais fez sucesso no exterior, e que também foi um dos nomes na Tropicália. O público não sofreu alteração na faixa etária, tendo como maior parte os jovens.
Com seu estilo musical que engloba samba, samba-rock, blues, jazz, Black & soul music, funky e outros, o cantor que melhor cantou o futebol, cessou a vontade de fãs novos que acharam que ele seria mais um ícone nacional clássico que nunca veriam se apresentando.
As estruturas tremeram com as músicas “Taj Mahal”, “Spyro Gyro”, “Fio Maravilha” e a “A banda do Zé Pretinho”. O romance prevaleceu com “Que Pena”.
A energia positiva era absoluta no local. Certamente os presentes ficaram com a boca farta de tanto cantar e sorrir.
O show durou cerca duas horas e meia. Jorge Bem pecou em estender demais algumas músicas, tornando-as cansativas. E em botar numa parte do show muitas mulheres da platéia no palco. Foi uma prova do carisma de Jorge, mas ninguém pagou para ver mulheres sambando no palco e tentando cantar no microfone.
As partes positivas da apresentação ofuscaram a negativa e Jorge Bem Jor provou que panela antiga continua fazendo comida boa. SALVE JORGE!


Rock no Pé


Escrito em 21/03/09 . Para ler escutando: LH - Todo carnaval tem seu fim / Radiohead - 15 Step; Weird Fishes , Arpeggi

Nunca a Praça da Apoteose presenciou tantos barbudos, nerds e melancólicos numa única noite. Essa grande mistura aconteceu sexta feira (20/03) onde os fãs de Los Hermanos, Kreftwark e Radiohead presenciaram ótimas apresentações das três bandas.
Pontualmente às 19 horas a banda que voltava de uma paralisação de dois anos, o Los Hermanos, abriu a noite e matou as saudades de seus fãs que vibraram ao ver os quatro barbudinhos de volta aos palcos. O público, que se despediu da banda com o coro de “VOLTA LOS HERMANOS!”, pulou ao som de “Todo carnaval tem seu fim” e “O vento”.
Após os LH, quem subiu ao palco foi o Kreftwark. A “banda” alemã (se é que pode ser assim chamada, pois não usam instrumentos musicais e sim computadores), que inventou a música eletrônica nos anos 80, provou que não tem nada de velha e embalou os presentes com hits como “The Man Machine” e “Tour de France”. Vale destacar o grande jogo de luzes utilizado e a participação de robôs, que substituíram os integrantes em uma música.
E por último, a grande atração. Os ingleses do Radiohead, em sua primeira atuação no Brasil, fizeram um show de alto nível; com uma maravilhosa e criativa iluminação e sinfonia perfeita. O público que aguardára a noite toda para o grande show ficou em estado de euforia. Junto com ele o vocalista Thom York, que com uma empolgação tropicana não fez justiça aos comentários de que ele seria um homem melancólico. Ao som de “Paranoid Android” e “Creep” e entre outras o público mostrou-se animado todo tempo e fez um espetáculo à parte, digno para inglês ver.
Os deuses do samba certamente aprovaram o rock que escutaram e abrirão alas para novos shows.

Primeiro Contato

Queridos amigos, bem vindos ao meu blog. Não criei esse espaço porque queria relembrar a época que tinha 12 anos e a onda de blogs começou! Não!
Costumo escrever em horas vagas, pouca gente sabe disso. Escrevo de tudo; poemas, músicas, textos aleatórios, pensamentos ... em fim, algumas coisas que me vem à cabeça. E agora vou disponibilizar algumas coisas aqui. Certamente muita coisa ficará offline, mas espero ter palavras suficiente para deixar isso aqui pelo menos um pouco interessante.
Bom, é isso. Espero que gostem!

Tá Bom

Escrito em 22/03/09 . Para ler escutando: Los Hermanos - Sapato Novo

Deixa assim
Melhor pode ficar.
Mas pra que? Pra quem?
Deixa a vida levar, o vendo soprar, a areia espalhar
Se vai acabar, a verdade desabar, o solitário se revelar
Se o tempo vai passar, a muleta vai chegar...

Deixa assim.

Se a lágrima é constante e o amor não,
Deixa quieto, sereno, deixe-me dormir.
Se a terra é o nosso destino.
Deixa assim, tá bom.