sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Diário Universitário
Então, vou falar um pouco da minha primeira semana de aulas na faculdade.
Segunda feira (9), foi a primeira aula e senti aquela clássica ansiedade que sentimos em todos os primeiros dias de aula. Cheguei na sala uns dez minutos atrasado porque não sabia muito bem em qual ponto descer e o número do ônibus.
Chegando na sala, sentei na primeira cadeira, como prometi a mim mesmo fazer em todas as aulas. Tava tendo aula de Práticas Educativas I. O professor era jovem e mora no Rio também. Perguntou o nome, localidade e se era a primeira graduação das pessoas. Tirando uns garotos que moram juntos numa república, tava todo mundo meio calado e nervoso, como é comum de um primeiro dia. Quando estava chegando na minha vez de falar, pensei em algo engraçado pra falar, pra quebrar um pouco o clima e também passar uma mensagem que sou sociável e tal. Então, na minha vez, falei meu nome, que era da Tijuca e falei também que era formado em medicina pela UFRJ. Nesse momento, todos, inclusive o professor, ficaram calados e surpresos. Ai, pensei: "Me fudi, ninguèm riu.". Quando o professor ouviu isso, arregalou os olhos e falou - "É sério, cara?"; ai eu disse - "Claro que não, professor!". Aí sim a glória tão vivida nas épocas de oitava série e primeiro ano veio à tona. Foi tanta risada que os veteranos que assistiam aula numa sala da frente comentaram depois. O momento anterior à piada é sempre tenso e o posterior é sempre relaxante. Foi assim que me senti. Logo depois me senti um pouco mal porque dois professores passaram textos grandes já para a aula do dia seguinte. Me virei e consegui ler tudo no prazo.
Logo depois da aula, quem já estava mais enturmado, marcou de ir beber num restaurante que tem o chopp garoto a um real! Isso é sério. O pessoal de Serviço, quer dizer, Ciências Socias também animou de ir. Depois de um tempo só tinha gente dos dois primeiros perídos na parte de cima do restaurante.
No dia seguinte, teve o trote. Fomos todos pintados, ridicularizados e "obrigado" a pedir dinheiro na rua. Fui buscar dinheiro com o Yuri, um garoto que estuda C.S que é socialista, falador, militante estudantil, sambista e que tá sempre disposto à uma argumentação política. Foi com quem mais me identifiquei por aqui.
No início foi difícil conseguir dinheiro, por que a gente não sabia a melhor maneira de pedir e o pessoal aqui de Campos não tem muita idéia do que é trote universitário. Devem pensar que são uns índios que invadiram a cidade e ficam pedindo esmola. Mas depois de desenvolver a lábia pedinte, foi mais fácil completar a meta de quinzer reais. Se falassem que não tinham trocado, nós diziamos que aceitávamos inteiro, cartão, cheque. Nisso todos riam e davam uma ajuda. E quando tava muito difícil, falava que fazia direito ou medicina e falava que poderia salvar a vida deles um dia.
Por enquanto foi isso o que aconteceu por aqui. Vou ver se consigo me organizar pra sempre dar com detalhes do que rola por aqui.
Obrigado.
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